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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Luciano Perrone

Filho de pai maestro e mãe pianista, Luciano Perrone (Rio de Janeiro, 1908 – 2001) teve uma boa formação musical estudando canto e posteriormente piano, ainda na infância. Iniciou sua carreira musical aos 14 anos de idade fazendo efeitos sonoros para o cinema mudo da Odeon, onde juntava peças da banda sinfônica como tarol (em cima de uma cadeira), um prato (pendurado numa grade) e um bumbo (ainda sem pedal) que era chutado ou tocado com baquetas. Em poucos anos, Perrone que era um dos poucos ritmistas habilitados a ler partituras (senão o único) se tornou o baterista mais requisitado do Rio, atuando em bailes, orquestras, jazz bands, teatros e etc. A partir de 1927, com o início das gravações elétricas (que possibilitaram a utilização de instrumentos percussivos), passou a atuar em diversas gravações, sendo apontado por alguns pesquisadores como o responsável pela primeira gravação de bateria em 1927 (apesar de outros pesquisadores atribuírem o feito ao baterista Aristides Prazeres). De qualquer modo, foi com a gravação de faceira (autoria de Ary Barroso e interpretação de Silvio Caldas) em 1931, que Perrone colocou a bateria em destaque, podendo ser considerado o primeiro solo de bateria gravado no Brasil (ouça aqui)

(Luciano Perrone)

Responsável por fazer importantes adaptações de ritmos brasileiros da percussão para a bateria com extrema habilidade, sugeriu ao maestro Radamés Gnattali – com quem trabalhou por 59 anos – que distribuísse as frases rítmicas da percussão para os outros instrumentos. Tal sugestão foi desenvolvida pelo maestro, revolucionando a orquestração da música brasileira e dando vida ao famoso arranjo de “Aquarela do Brasil”. Desse modo, Luciano gravou uma série de importantes discos da música brasileira, trazendo grandes contribuições não só para o desenvolvimento da bateria no Brasil, mas para a música popular brasileira como um todo. Trabalhou na Rádio Nacional por 25 anos – tocando inclusive no programa inaugural –, integrou a Orquestra Sinfônica Nacional como timpanista, fez turnês por diversos países e foi eleito pelo público como melhor baterista brasileiro por três anos seguidos (a partir de 1950). Sua extrema e singular habilidade em tocar samba na bateria foi retratada na música O samba com Luciano de Luiz Bandeira, gravada pelo próprio Perrone que recebeu tal homenagem no programa “Noite de Gala” apresentado por Flavio Cavalcante em 1958 na TV Tupi. Lançou em 1963 o LP Batucada Fantástica – Os ritmistas brasileiros conduzidos por Luciano Perrone que poucos anos depois foi premiado com o Grand Prix International du Disque na França. Em 1972, ano em que completou 50 anos de carreira, gravou o Batucada Fantástica volume III.


Referências:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

BARSALINI, Leandro. As Sínteses de Edson Machado: Um Estudo sobre os padrões de Samba na bateria. Campinas, Unicamp, 2009.

BARSALINI, Leandro. Modos de execução da bateria no samba. Campinas, Unicamp, 2014.

DAMASCENO, Alexandre. A batucada fantástica de Luciano Perrone: sua performance musical no contexto dos arranjos de Radamés Gnattali. Campinas, Unicamp, 2016.

SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Ed. 34, 2008.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Sut

João Batista das Chagas Pereira, conhecido artisticamente como Sut, nasceu em 1905 no interior de São Paulo. Inicialmente como tocador de tarol, integrou a Corporação Musical União Operária (de Piracicaba – SP) sob regência do maestro Surian, passando a fazer parte, na década de 1920, da Jazz Band Manon, já como baterista. Mudou para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar com grandes nomes da música brasileira como Pixinguinha, Carmen Miranda, além de importantes orquestras como as da Rádio Nacional e TV Tupi. Extremamente habilidoso (ouça aqui), se tornou reconhecido e requisitado em diversas turnês para os Estados Unidos, Europa e América do Sul. 

O baterista Sut

 Seu filho, Sutinho, também se tornou baterista de grande prestígio, inclusive o substituindo por um tempo na Orquestra Tupi, enquanto Sut se recuperava de uma grave enfermidade.


Referências:

BARSALINI, Leandro. As Sínteses de Edson Machado: Um Estudo sobre os padrões de Samba na bateria. Campinas, Unicamp, 2009.


Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Valfrido Silva

Valfrido Pereira da Silva (1904-1972), natural do Rio de Janeiro, obteve grandes êxitos na música brasileira enquanto baterista, compositor e cantor. Tocando em cassinos, cabarés, fazendo fundo musical em cinema mudo e integrando orquestras, Valfrido Silva se consolidou enquanto músico passando a atuar em importantes gravações como O teu cabelo não nega, Linda Morena e Cidade Maravilhosa ao lado de músicos como Pixinguinha e em famosas formações como “Os Diabos do Céu”. Com a gravação do fox-blue Preludiando (1934), acompanhando a pianista Carolina Cardoso de Meneses, Valfrido Silva foi o primeiro baterista brasileiro a ter seu nome registrado em disco.

Valfrido Silva (1904 - 1972)

Sua composição O tic-tac do meu coração foi gravada em 1935 pela estrela Carmen Miranda, que mais tarde cantaria a mesma canção no filme americano A minha secretária brasileira, tornando Valfrido um dos primeiros compositores brasileiros com projeção internacional. Ainda como compositor fez parcerias com importantes figuras da nossa música como Noel Rosa, Almirante, entre outros. Fez turnê pelo exterior com Derci Gonçalves na década de 1940, e em 1959 gravou o LP Gafieira com o pianista Gadé, com instrumentação somente à bateria e piano. 


Referências:
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

BARSALINI, Leandro. As Sínteses de Edson Machado: Um Estudo sobre os padrões de Samba na bateria. Campinas, Unicamp, 2009.

GIL-MONTEIRO, Martha. Carmen Miranda: a pequena notável. Círculo do Livro LTDA., 1989.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

J. Tomás

Joaquim Silveira Tomás (Rio de Janeiro: 1898 - 1948) é uma importante figura na história da bateria e da música brasileira, uma vez que além integrar o importante grupo de Pixinguinha, os Oito Batutas, pode ser considerado um dos primeiros bateristas brasileiro. Isso se deve ao fato de que após uma turnê por Paris em 1922, o grupo traz uma bateria para J. Tomás que não havia viajado com o grupo por problemas saúde. A bateria foi comprada pelo milionário Arnaldo Guinle (que viajava com o grupo pela França) e a partir de então passou a ser incorporada no repertório dos “batutas”. Com isso, J. Tomás que anteriormente tocava instrumentos de percussão no grupo, assume o posto de baterista, tendo como referência o norte-americano Harry Kosarin que esteve pelo Brasil a partir de meados de 1919 trazendo a novidade da bateria.

Os Oito Batutas na Argentina em 1923

Por conta de desentendimentos no grupo Oito Batutas em uma turnê pela Argentina em 1923, J. Tomás forma o conjunto Os Oito Cotubas (juntamente com Donga e Nelson Alves, egressos do grupo de Pixinguinha), onde segue como baterista além de divulgar composições próprias. O grupo que tocava em eventos frequentados por um público de classes média e alta, aderiu ao estilo das jazz bands na instrumentação, no repertório e nos trajes em busca de modernidade. Vale elucidar que neste período, ainda não havia algum gênero musical fixado popularmente a ponto de representar uma identidade de cultura nacional, portanto, o repertório destes grupos musicais era geralmente composto por um mix de músicas regionais e internacionais. Com o grande sucesso que J. Tomás obteve, formou sua própria orquestra chamada Brazilian Jazz, que posteriormente contou com Ary Barroso no piano.


Referências:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro, Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

BARSALINI, Leandro. As Sínteses de Edson Machado: Um Estudo sobre os padrões de Samba na bateria. Campinas, Unicamp, 2009.

CABRAL, Sérgio. No tempo de Ary Barroso. Editora Lazuli LTDA, 2016.

SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Ed. 34, 2008.

TINHORÃO, José Ramos. História Social da Música Popular Brasileira. São Paulo: Editora 34, 1998.

O que é o "Batucada Fantástica"?




Luciano Perrone (1963)
Olá! É com muita batucada que iniciamos essa jornada pela história musical da bateria brasileira. E ao criar um espaço favorável para se compartilhar arquivos e informações sobre este instrumento,  sobre nossos primeiros bateristas e o grande legado musical deixado por eles, nada mais justo do que nomea-lo em forma de homenagem àquele que é reconhecido como o pai da bateria brasileira: Luciano Perrone. Nascido em 1908 no Rio de Janeiro, Perrone não foi o primeiro baterista brasileiro mas certamente faz parte do pequeno grupo de bateristas da primeira geração e se consagrou com uma longa carreira, atuando com maestria em diversas gravações, turnês, programas de rádio, trazendo significativas contribuições para o desenvolvimento da bateria no Brasil. Em 1963 lançou o primeiro disco de uma série de 03 volumes, nomeado "Batucada Fantástica", registrando diversos rítmos brasileiros, tocados por uma variedades de instrumentos percussivos (pelo grupo "Ristmistas Brasileiros") incluindo a bateria, executada pelo próprio Perrone. Tal trabalho acabou se tornando objeto de estudos para muitos pesquisadores da música brasilera. Pouco a pouco falaremos sobre cada um de nossos primeiros mestres, sobre a introdução do instrumento no Brasil, as primeiras gravações, curiosidades e muito mais. Fique à vontade para navegar no conteúdo, compartilhar, tirar dúvidas e acrescentar com seus conhecimentos. Até a próxima batucada!

Rubinho Barsotti

Natural de São Paulo, nascido em 16 de outubro de 1932, Rubens Alberto Barsotti iniciou sua carreira musical dando canjas em casas noturnas...